Desenho – um pouco da história

PRÉ-HISTÓRIA (até 4000-3500 aC): O desenho é tão antigo quanto à presença do homem na Terra. Arte rupestre é o termo que designa as representações artísticas pré-históricas. Dentre os elementos representados destacam-se a figura humana, animal e de plantas. Desde este tempo, já havia uma tentativa de fazer perspectivas.

IDADE ANTIGA (de 4000-3500 aC a 476 dC): Com o desenvolver das primeiras civilizações na Mesopotâmia e no Egito, houve inovações no ato de desenhar. Dentre elas: a “lei da frontalidade” (cabeça e membros de perfil, e olhos e o corpo de frente para o observador); a hierarquização religiosa (figuras socialmente mais importantes representadas em maior dimensão); as representações em bandas horizontais sucessivas (substituindo o modo anárquico que se usava até então). Não havia sugestão de profundidade e as figuras eram desenhadas sem sobreposição. Os desenhos esquemáticos são encontrados desde a Idade do Bronze (1500 aC) até as pinturas egípcias. Porém, foi na Grécia Antiga, com a fundação da geometria e dos modelos euclidianos, entre os séculos VI e IV aC, que ocorreu seu uso mais direto.

IDADE MÉDIA (de 476 dC a 1453 dC): Neste período surgiu a projeção ortográfica (ou paralela) e a esferográfica (ou cônica, com ponto de fuga), mas não foram usadas. Pois com a queda do Império Romano, que passou de um “império pagão” para um “império cristão”, a imagem passou a ser conceitual, e perdeu-se o sentido do volume e da perspectiva. As obras eram essencialmente de cunho cristão. Não havia mais interesse em representar realisticamente o mundo e os nus foram proibidos.

IDADE MODERNA (1453 dC a 1789dC): Durante este período a Antiguidade foi revisitada. Houve a retomada da perspectiva no Renascimento. E esta, juntamente com a simetria e a proporção áurea, foram agregadas ao planejamento da pintura. A variação temática das obras deste período desafiou as habilidades dos desenhistas e pintores, aumentando os estudos de desenho de observação. Por outro lado, a expansão marítima da época, incitou um avanço dos sistemas de ilustração, e os desenhos dos navios passaram a ser feitos em três planos. Neste período, as Artes Maiores se separaram das Menores, o que ampliou a atuação e maior especialização do desenho técnico de produtos específicos.

IDADE CONTEMPORÂNEA (1789 dC até agora): Com a Revolução Industrial, a Engenharia Mecânica cresceu, juntamente com os desenhos técnicos. A Geometria Descritiva deixou de ser restrita ao uso militar e foi ensinada como nova ciência, passando a compor as criações fabris. O surgimento da fotografia em 1826 permitiu mais liberdade artística. Assim, o Impressionismo e o Pós-impressionismo foram marcados por uma representação mais livre. Já em 1927, começaram as primeiras normas nacionais e internacionais, nascendo as primeiras padronizações gráficas, diferenciando o desenho industrial do artístico. O século XX foi marcado por mudanças profundas, que impactaram o desenho. De forma geral, houve um rompimento dos limites. Surgiram os desenhos infantis, publicitários, as charges e sátiras políticas e sociais, entre outros. Surgiram diversos movimentos em constante estado de inquietação e busca pela identidade: minimalismo, arte conceitual, neoexpressionismo, arte pop, arte urbana, op art, etc… As últimas décadas foram marcadas pela influência da tecnologia sobre o desenho e vice-versa.

Anúncios

Desenho – técnicas e materiais básicos

TÉCNICAS SECAS:

  • Lápis grafite: Material básico: lápis grafite, papel, borracha e estilete. Técnica básica: O esboço é a primeira parte do desenho, devendo ser feito este delineamento inicial para posteriormente dar a finalização à obra. Geralmente as demais técnicas de desenho utilizam-se de um esboço feito com esta técnica.
  • Lápis de cor: Material básico: lápis de cor, papel e apontador. Os lápis de cor podem ser aquareláveis ou não. Técnica básica: fazer um esboço e finalizar colorindo, tomando cuidado ao fazer a gradação e mistura corretas das cores.
  • Carvão: Material básico: carvão e papel. Tipos de carvão: carvão em pau, barra de carvão, lápis-carvão. Técnica básica: fazer o esboço e finalizar, tomando muito cuidado para não manchar o papel.
  • Giz pastel : Material básico: giz pastel seco ou oleoso, papel e pincel, no caso do giz ser aquarelável. Técnica básica: fazer o esboço e então colorir com o giz. O giz seco permite a manipulação do efeito esfumado e da mistura de cores para criar volumes. O giz oleoso não deve ser misturado com os dedos, pois não sai facilmente.

TÉCNICAS MOLHADAS:

  • Caneta hidrocor: Material básico: caneta hidrocor (canetinha) e papel. Técnica básica: fazer o esboço e pintar, tomando cuidado para não manchar o papel e não manchar o desenho, sobrepondo as cores corretamente.
  • Nanquim : Material básico: caneta nanquim ou tinta nanquim, papel e pincel, no caso da tinta. Técnica básica: fazer o esboço, contornar e preencher o desenho criando efeitos de luz e sombras, utilizando-se da técnica de pontilhismo (compor usando pontos ou manchas) ou hachuras (compor usando traços).
  • Guache: Material básico: tinta guache, pincel e papel. Técnica básica: fazer o esboço e preencher com guache.
  • Aquarela: Material básico: tinta aquarela, pincel e papel. Técnica básica: fazer o esboço e preencher com aquarela, tomando cuidado para proteger as partes do desenho que ficarão em branco.

TÉCNICAS MISTAS

As técnicas podem ser misturadas entre si, mas de preferência as de mesma natureza: técnicas secas precisas (grafite, lápis de cor), secas porosas (carvão, giz pastel seco) e molhadas (guache, aquarela). Ao misturar as técnicas deve-se observar o tempo de secagem de cada uma para que não manchem o desenho.

A galeria de fotos abaixo ilustra todas as técnicas descritas:

Arteterapia – um breve histórico

A arte está atrelada à existência do ser humano. Desde os primórdios da humanidade tem como função, além da estética, a comunicação, a interação social, o registro histórico, o culto, entre outros. Seu uso terapêutico remonta às civilizações mais antigas, se tornando uma área de conhecimento e atuação apenas em meados do século XX, devido às crises advindas das grandes transformações deste período.

A americana Margaret Naumburg ( 1890- 1983) ficou conhecida como a mãe da arteterapia por defini-la como um campo específico e estabelecer seus fundamentos teóricos. Autora de diversos livros na área, seu trabalho culminou na fundação da Associação Americana de Arteterapia (AATA) em 1969.

No Brasil, em 1980, a arteterapia chega através de Selma Ciornai (psicoterapeuta gestáltica com formação em Israel e Estados Unidos), quando foi criado o primeiro curso no Instituto Sedes Sapientiae. Antes disto, dois psiquiatras brasileiros que se destacaram por suas contribuições nesta área foram Osório Cesar em 1923 e Nise da Silveira em 1946:

  • Osório Cesar escreveu o artigo: “A arte primitiva dos alienados” em 1925. A produção artística dos seus pacientes o incitou a fundar a Escola Livre de Artes na década de 50.
  • Nise da Silveira criou o Museu do Inconsciente, que reuniu trabalhos de pacientes do Centro Psiquiátrico Dom Pedro II, onde trabalhou. Em 1981, escreveu o livro “Imagens do Inconsciente”, expondo sua metodologia, análise, respeito e cuidado com o ser humano.

A Reforma Psiquiátrica Brasileira (final dos anos 70) trouxe uma nova concepção de cuidados com os pacientes mentais, retirando-os do ambiente manicomial, proporcionando sua reinserção na sociedade. Neste momento, a arte passa a ter um papel importante na reabilitação e inclusão sócio-familiar destes indivíduos. Assim a arteterapia é inserida no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) como forma de tratamento, viabilizando e dinamizando os processos em grupos terapêuticos. A portaria nº 849, de 27 de março de 2017, incluiu a arteterapia e outras terapias alternativas à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

Arteterapia – conceitos básicos

Arteterapia é a área profissional que usa a arte com fins terapêuticos. Se utiliza de várias linguagens (plástica, sonora, literária, dramática, corporal) a partir de técnicas expressivas como desenho, pintura, modelagem, música, poesia, dramatização e dança. Tem diversas aplicações como avaliação, prevenção, tratamento e reabilitação em saúde, e seu campo de atuação é extenso tendo abrangência clínica, educacional, comunitária e organizacional.

De acordo com os principais tipos de abordagem, ela pode ser dividida em: psicanalítica, junguiana e gestáltica.

  • Arteterapia Psicanalítica: tem como base o conceito de Freud do determinismo do inconsciente, que se expressa mais em imagens do que em palavras. Seu ponto fundamental é a concepção da arte como forma de sublimação, que é o processo no qual as pulsões (ímpetos) são desviadas de seu objetivo original para serem usadas em atividades culturais, como a criação artística.
  • Arteterapia Junguiana: tem como base a concepção de Jung de que, além da existência do inconsciente pessoal, tem-se o coletivo, formado pelos instintos e arquétipos. Para ele, além de memórias de um passado distante, o inconsciente também pode dar origem à pensamentos e idéias totalmente novos e de alto potencial criativo. O foco é a individuação, que é o processo no qual um indivíduo se torna uma unidade pela integração consciente de seus aspectos inconscientes.
  • Arteterapia Gestáltica: tem como base a teoria da percepção da Gestalt-terapia. Nesta abordagem a vivência da arte aumenta a percepção do paciente sobre si mesmo e sobre o mundo ao redor, através da aquisição de insights durante o processo criativo. O objetivo final é o “awareness”, que é o conscientizar-se do que se passa consigo naquele momento da vida. Para isto o paciente deve fazer a forma artística, estando pessoal e emocionalmente envolvido com ela, vivenciando o presente e visualizando alternativas possíveis para o desenvolvimento da arte seguindo modelos mais desejados por ele.

Apesar da arteterapia poder ser desenvolvida a partir de distintos referenciais teóricos, os pontos em comum são a utilização da arte como meio de expressar a subjetividade e o reconhecimento da função terapêutica inerente à própria atividade artística e diretamente ligada à criatividade.

Artes visuais na era digital

A era digital (também conhecida como era da informação ou era tecnológica) é o nome dado ao período que vem após a era industrial. Suas bases remontam ao princípio do século XX e, principalmente, à década de 1970, com invenções tais como o microprocessador, a rede de computadores, a fibra óptica e o computador pessoal. Artes visuais é o nome dado ao conjunto de artes que representam o mundo real ou imaginário e que tem a visão como principal forma de percepção e apreciação. O conceito de arte visual é muito extenso, envolvendo áreas como desenho, gravura, pintura, escultura, colagem, fotografia, arquitetura, paisagismo, decoração, moda, teatro, dança, cinema, etc.

As novas tecnologias da era digital têm revolucionado as artes visuais. Um exemplo disto é o surgimento da arte digital, que pode ser definida como toda e qualquer manifestação artística produzida com a ajuda de meios eletrônicos (computadores, smartphones, etc.), e que pode estar exposta tanto em meios virtuais quanto em suportes tradicionais. Temos como exemplos a web art, as ilustrações digitais, as técnicas de video mapping e os gifs. A arte digital se popularizou através das redes sociais, algumas das quais tem a arte digital como meio principal de comunicação, como o Instagram e o Pinterest por exemplo. Mesmo sem conhecer a definição, a maioria das pessoas já utiliza as artes digitais para se comunicar todos os dias.

O mercado de trabalho para o artista visual é extremamente amplo e está em expansão. O artista visual pode ser autônomo, dar aulas ou trabalhar numa multinacional, por exemplo. A era digital impõe uma constante atualização profissional, uma especialização cada vez maior, mas ao mesmo tempo também exige um conhecimento multidisciplinar para que o artista possa se destacar e lidar com as mudanças rápidas inerentes à era digital, uma era dominada por imagens. E como disse Confúcio certa vez: Uma imagem vale mais que mil palavras.

Artes visuais na era digital

Arteterapia – uma nova profissão.

A Arteterapia consiste basicamente do uso de recursos artísticos/visuais ou expressivos como elemento terapêutico. Entre estes recursos podemos citar: desenho, pintura, modelagem, construções, sonorização, musicalização, dança, drama e poesia. Não tem a finalidade de formar artistas, mas desenvolver o potencial criativo saudável, resultando em saúde e bem estar para o indivíduo.

O papel do profissional arteterapeuta é, durante a execução dos processos artísticos, estabelecer uma relação de confiança com o indivíduo, facilitando o ampliar do auto-conhecimento e da consciência , possibilitando mudanças afetivas, comportamentais, sociais e emocionais.

O psiquiatra alemão Johann Christian Reil (1759-1813), pioneiro da arteterapia, foi o precursor do uso de recursos artísticos com fins terapêuticos. No Brasil destaca-se o trabalho do psiquiatra Osório César (1895-1979).

Para organizar a classe profissional formaram-se as Associações Estaduais de Arteterapia, e são elas que compõem a UBAAT (União Brasileira de Associações de Arteterapia), por cujo esforço a Arteterapia foi reconhecida como profissão pela CBO (Classificação Brasileira de Ocupação), com o registro de 2263-10 -Arteterapeuta. Assim o profissional Arteterapeuta pode ser registrado em carteira e participar de concursos públicos.

Atualmente a formação profissional se dá através de cursos de formação, especialização e pós-graduação, que podem ser realizados por profissionais de diversas áreas de atuação. Estes cursos devem estar cadastrados juntos à UBAAT, seguindo o currículo mínimo exigido pela instituição, para que o profissional tenha direito ao cadastro junto ao órgão competente de sua unidade federativa.

O profissional Arteterapeuta pode atuar nas áreas da saúde, educação, social, reabilitação, ONGS, OSCIPS, CAPS, CREAS, CRAS, presídios, instituições de recuperação e integração social.

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora